Quarto montessoriano – Parte I

aberturaFoi justamente numa conversa sobre quarto montessoriano, lá pelo oitavo mês de gestação de Isa, que minha grande amiga Fernanda me apresentou à figura de Maria Montessori. Já existem vários sites falando sobre o tema, mas eu não poderia ter um blog sobre Montessori aqui em casa sem falar da nossa experiência. Pesquisando na internet você vai ver contradições e lindos quartos com inspiração montessoriana, mas distantes do método. Eu recomendo ler este artigo do Gabriel Salomão, é um estudioso do tema e dá várias orientações. Vou focar aqui em numa perspectiva que Gabriel não trata: dicas mais relacionadas ao uso na prática.

Como qualquer outro modelo de quarto de criança, o quarto montessoriano deve se adaptar às novas necessidades da criança à medida que ela cresce. Achei melhorar dedicar uma postagem para cada etapa que nós fizemos por aqui até o momento: essa postagem, Parte I, vai até 8 meses e a Parte II daí até agora (16 meses). Não houve grandes mudanças, só que começamos bem simples e acrescentamos elementos aos poucos e as alterações nos quartos coincidiram com nossa mudança de casa também.

Quando o bebê deve começar a dormir no seu próprio quarto? Vou falar meu ponto de vista sobre essa pergunta que aparece com certa frequência no grupo do Facebook que participo, Montessori para mamães: Bom, não existe contraindicação de o bebê já dormir no quarto montessoriano desde o primeiro dia, mas aqui em casa não foi assim. Fizemos quarto compartilhado, Isa dormindo no berço móvel ao lado da nossa cama, até os 3 meses. Eu acordava naqueles sobressaltos comuns da mãe recém parida e era muito bom só abrir o olho, me dar conta que estava tudo bem e voltar a dormir. Para mim, foi um período de adaptação e imagino que para ela também. Uma experiência ótima e pretendo repetir com Vicente. Antes dos 3 meses, Isa já passava alguns minutos do dia por lá, reconhecendo o ambiente e observando os móbiles.

Depois de tanto falatório vamos ao quarto em si. De forma geral a premissa do quarto é: o foco está na criança e não no cuidador, diferentemente de um quarto tradicional de bebê onde o que vemos são móveis e até mesmo a decoração (quadros, enfeites, prateleiras) feitos para a altura do adulto. Digamos assim,  o “dono” do quarto não é muito levado em consideração. A proposta de Montessori é torná-lo um espaço onde o bebê se sinta envolvido, onde possa praticar o corpo e a mente na sua busca diária pela mobilidade (e depois por outras conquistas).

Vamos então às características:

Área do Sono

Foto 2 sonoLiberdade de movimento: O colchão no chão permite exercitar os músculos e reconhecer seu quarto. Pense como faz sentido que o bebe faça esse reconhecimento do ponto de vista de onde ele vai começar a explorá-lo que será engatinhando no chão. Enquanto está ali deitado no seu colchão, ele está elaborando rotas e preparando planos.

Dica pro colchão: Como já tínhamos o colchão do berço, usamos ele mesmo. Se alguém vai começar do zero eu recomendo já comprar um colchão de solteiro que servirá por muito mais tempo para a criança. Você pode ir ajustando almofadas/travesseiros/rolos de acordo com seu bebê para evitar que saia rolando pelo quarto. Independentemente do tamanho do colchão ou até se você preferiu manter o berço, esteja atento(a) às recomendações de segurança para prevenção da SMSL, use objetos e colchões firmes e poucos.

Segurança: Ainda que muitos achem que o berço garante segurança para o bebê, é justamente o contrário. No berço você deve se preocupar com o espaçamento entre as grades para não haver risco de sufocamento, em abaixar a base quando o bebê já puder ficar em pé para evitar risco de queda, na estabilidade da grade que rebaixa para evitar que o bebê escorregue e fique entalado. Enquanto no colchão no chão, o único risco é o bebê rolar para fora do colchão.

Para quem mora em regiões onde faz frio, sugiro um isolamento térmico emborrachado embaixo no colchão, não é meu caso porque moro em Salvador. As pessoas também perguntam muito sobre insetos, nunca tive problema com isso, quando chove e tem mais muriçoca (pernilongo) ligo o ventilador ou ar-condicionado e pronto.

Lembre-se de proteger todas as tomadas e instalar as prateleiras numa altura que o bebê não possa ficar entalado ao engatinhar por baixo.  Diariamente o quarto deve ser limpo e checado para ver se há pequenos objetos pelo chão.

Área de movimento

aberturaA área de movimento deve ser onde você colocará o móbile e o espelho. Por mais que seu bebê seja pequeno e com pouca mobilidade agora, já reserve essa área com generosidade para facilitar os ajustes.

Espelho: Bebês têm uma atração natural por rostos humanos e por isso adoram o espelho. Além de proporcionar que reconheçam seus movimentos, o espelho também é um ótimo atrativo para a principal atividade desses primeiros meses de vida que é o “Tempo de Bruços” (tradução livre minha para a expressão em inglês “Tummy Time”). Nesse primeiro momento, o espelho deve ser colocado na horizontal.

Foto 4

Não há problema que seja um espelho de verdade se estiver colado a uma placa de madeira e bem fixado à parede. Eu fiquei mais tranquila comprando um de acrílico. Aqui foi onde comprei (Esclarecimento). A princípio colocamos na parede com a fita dupla-face que já vem no próprio espelho, mas a medida de Isa foi crescendo e conseguindo tirar algumas laterais acabamos fixando com parafuso (ver na postagem da parte Parte II).

Móbiles: farei uma postagem só sobre eles.

Tapete: a princípio compramos esse tapete que você vê na foto, ele é  de encaixe de E.V.A – muito comum em lojas infantis, mas nosso grande arrependimento. Com o tempo percebemos que o cheiro que deveria ir saindo os poucos não saía e então descobrimos que esses produtos podem ser tóxicos mesmo. Falta no Brasil regulamentação sobre o tema, mas o Inmetro e o MPF estão avançando com isso. Na segunda versão do quarto (Parte II) investimos um pouco mais ($$$) para garantir um tapete comprovadamente atóxico. Esse é o link de onde comprei (Esclarecimento), mas existem várias opções nas lojas online. Outra opção até mais recomendado pelo método, e a que eu faria atualmente, seria um tapete de fibra natural que é mais bonito, mais gostoso e não faz barulho ao andar.

Área de cuidados pessoais

Foto 5Enquanto a criança ainda não atingiu a independência nesse quesito, essa parte do quarto estará voltada para o cuidador mesmo. Uma cômoda como trocador é o suficiente, e foi o que fizemos.

A foto está ruim, mas é a única que tenho da cômoda e só para mostrar que se trata de um móvel padrão, nada montessoriano. Essa eu herdei da minha prima amada e me foi muito útil, mas se eu fosse montar o quarto do zero partiria para versões mais versáteis ao crescimento da criança. Exemplos de cômodas versáteis que você pode mandar fazer tem aqui e aqui. Esse é o modelo de uma marcenaria que trabalha bastante com o método e é recomendada pelas moderadoras do grupo do Facebook Montessori para Mamães (Esclarecimento).

Como você verá na Parte II,  quando nos mudamos tiramos a cômoda do quarto porque eu já trocava ela em pé no banheiro e usamos o armário embutido para guardar roupas e brinquedos fora do rodízio.

Acessibilidade

Foto 6

Estante baixa: onde serão colocados os brinquedos, livros etc para que o bebê possa acessar sem precisar da ajuda de um adulto. Desde os primeiros meses de vida, a colocação de objetos agradáveis em seu campo de visão servirão de estímulo para que o bebê busque o movimento ao tentar alcança-los. Quando já puder engatinhar, a estante servirá também de apoio para erguer-se, por isso é muito importante que seja estável e firme.

A estante só colocamos na Parte II , enquanto isso improvisamos com um cesto e os brinquedos dentro.

Menos é mais: Seja estante, cesto ou outra solução que sua família encontrar, procure deixar à disposição do bebê poucos objetos por vez. Dessa forma o ele não será superestimulado e será mais fácil de organizar. Ao fazer o rodízio dos brinquedos ele se interessará por aquele brinquedo que nunca mais viu. Os objetos fora do rodízio guardamos aqui em casa dentro do armário embutido no quarto dela.

Obras de arte: Dispostas a altura do bebê para que possa admirar, mas que não possa alcançar para tirar. Quando da escolha dos quadros dê preferencia reprodução realistas. A arte realista, em contraposição a arte fantasiosa (como bichos que falam, crianças que voam, …), ajuda a criança pequena a apreender e compreender o mundo real. Até os 6 anos, a criança ainda não consegue abstrair e ainda está entendendo como funciona o mundo, por isso Montessori acha que introduzir elementos fantasiosos antes disso pode confundir a criança. A fantasia virá depois de uma base estabelecida, fruto da sua própria imaginação.

É interessante ir trocando as imagens de tempos em tempos para cativar a atenção da criança. Nós também só fizemos na Parte II.

Barra: a instalação de uma barra, que pode ser um cabo de cortina) na altura do bebê vai ajuda-lo a se levantar quando ele já puder engatinhar. E isso foi uma coisa que acabamos não fazendo entre uma mudança e outra e quando vimos Isa não a precisava mais.

Conclusão

Tenha em mente, mais importante que ter uma cama rasteira com moldura de casinha e varal de luzes, é procurar preparar um ambiente que transmita calma, ordem, que permita o movimento do bebê e que o envolva. Não quero dizer com isso que a estética não é importante, é sim, e muito, mas procure colocar poucos elementos de boa qualidade na decoração. Busque uma decoração minimalista, o excesso de estímulos não é legal para o bebê, ainda mais naquele ambiente onde queremos que ele também relaxe e durma.

Para mais dicas práticas olhe essa postagem do blogs Descoberta da Criança e essa do Acaratapa.


6 comentários sobre “Quarto montessoriano – Parte I

  1. Olá, primeiramente parabens pelo blog!!!Estou amando!!! Queria saber de voce..tenho um bebe de 5 meses, ele antes sempre dormia no berço, porem agora reformamos o quarto dele e desmontamos o berço, e estamos aproveitando o colchao do berço mesmo, embaixo do colchao coloquei um tapete por causa do frio e o colchão fica encostado numa parede entao so do outro lado que coloquei um edredon para caso ele role p fora nao sinta a altura do colchao para o tapete, mas ja é a segunda noite que encontro ele quase fora do tapete pela manha. Como voce fazia para sua bebe não sair fora do colchão? Usava o rolo, funciona msmo? Nao tem aquela coisa do perigo de sufocamento? Ou seria melhor eu colocar um outro colchão do lado desse da mesma altura…nao sei estou meio perdida….rsrsr desculpe pelo tamanho do comentario hihihihi obrigada

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    • Obrigada Hilda!! Fico mesmo feliz que a experiência compartilhada está servindo. Nem se preocupe com o tamanho do comentário.
      Sobre a questão do rolamento, o negócio é tentativa e erro mesmo. Porque bebê é diferente.
      Nós colocávamos aqueles travesseirão e foi o que mais deu resultado, mas ainda assim uma noite ou outra Isa acordava fora do colchão.
      O travesseirão nem é o mais indicado para a questão para o risco de sufocamento, o melhor seria os rolos mesmo por serem firmes.
      Aqui tem o link de uma imagem que considero a melhor solução para evitar o risco, colocar o rolo por debaixo do lençol. https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/69/5d/15/695d15ee2205ab7065aa559335eea489.jpg
      Se tiver dificuldade de abrir a imagem me fala que te mando por e-mail.
      Abraço.

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      • Marina muuuuitissimo obrigada pela atenção e por ter respondido meu comentário!!!:D Você master me ajudou, enrolei uma colcha e coloquei do lado do colchão para ele não cair a noite e super funcionouuuuu!!!! Só vi que talvez vou precisar por na parte debaixo do colchão tambem, só tinha colocado do lado hoje de manha quando acordei nao sei como ele estava no chao acho que se mexeu tanto que conseguiu sair do colchão pela parte debaixo hahahaha.

        Mas eu estava pensando…ahhh não faz mal né deixar com esse rolinho só a noite ne? É que fiquei meio preocupada porque se a razão para colocar o colchão no chão é deixa-lo livre, se eu colocar o rolo eu estaria meio que prendendo ele de novo nao? Aiiii dúvidas de mae de primeira viagem e novaaaaaa nessa área hahahahaha é que ele nao esta engatinhando ainda e talz, tá na época que esta tentando virar sabe. Acho que vou continuar assim o rolinho a noite mesmo, porque pelo menos durmo mais tranquila. Super obrigada Marina e sucesso no seu blog, to acompanhando todos os posts!!!! 😉 Bjs

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      • Hilda, eu também tinha esse receio de estar “bloqueando” o livre acesso. Colocar só à noite é exatamente minha sugestão. Não se preocupe, essa contenção não vai atrapalhar seu filho de se locomover de dia quando ele estiver um pouco maior e você não precisará ficar colocando e tirando.
        Obrigada pelas palavras de apoio, isso me anima ainda mais. 🙂

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    • Júlia, desculpe a demora em responder.
      Olha, a gente já colocou sobre um armário que não era embutido. Já colocou na lateral de um embutido e agora estamos sem babá.
      Mas meu marido até já tinha deixado uma tomada alta para isso durante a reforma.

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