Primeiras atividades – Parentalidade


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Nos dois primeiros meses de vida tudo ao redor do bebê é muita novidade (mamar, tomar banho, ver pessoas…). Por isso, aqui em casa somente três coisas fizeram parte do cotidiano de Isa nesse período: muita atenção dos pais, os móbiles e o “Tempo de Bruços” (tradução livre minha para a expressão em inglês “Tummy Time”). Achei interessante fazer uma postagem para cada uma delas.

Eu bem sei como os cuidados básicos são árduos nesses primeiros meses, mas não é disso que se trata a “atividade” parentalidade. A ideia que Maria Montessori reforça é que VOCÊ é o principal “material” sensorial do seu filho, por isso sempre que estiver acordado, mantenha o bebê por perto.

Bercinho móvelEu usei muito esse bercinho móvel com Isa para leva-la onde estivéssemos e deixa-la participar e observar o cotidiano da família, mas como estamos falando de manter o bebê sempre por perto tenho certeza que já tem gente pensando nos slings.

Baby gears

Sei das inúmeras vantagens dos slings e usei bastante, mas para determinadas ocasiões, como colocar Isa para dormir ou quando saíamos de casa. A cadeira de balanço também tinha seu uso direcionado: basicamente nos banho de sol. O bebê conforto usamos poucas vezes em casa, mas felizmente logo Isa já não queria mais. Por que limitar? Durante o tempo no útero, o bebê fica muito tempo na mesma posição e o uso continuo desses dispositivos que falamos pode contribuir para acentuar leves assimetrias.

Terapeutas ocupacionais recomendam uma regra de 2 horas por dia (na combinação de todos os equipamentos, incluindo o uso no carro) e não mais que 15 minutos por vez. Se quiser ler mais sobre isso recomendo muito o blog CanDoKiddo, especialmente esta postagem (infelizmente ainda não conheço um blog em português sobre o tema).

Além disso, esses espaços confinados não permitem os primeiros movimentos intencionais do bebê como virar de lado e rolar. O ideal é deixa-lo a maior parte do seu tempo num local que possibilite amplos movimentos para se alongar, fortalecer os músculos e treinar a coordenação.

IMG_5527Entre as nossas opções, esse tapete acredito ter sido a melhor. Não a toa foi nesse tapete que Isa se virou de lado pela primeira vez antes de completar 3 meses. O que me lembra um conceito recorrente no método Montessori: as crianças quase sempre são capazes de realizar antes do que imaginamos. Daí a importância de mantê-la sempre em um ambiente preparado para a próxima etapa para que ela possa lhe surpreender.

Por fim, importante falar como a relação de respeito se constrói desde o primeiro momento. A nossa tendência é reproduzir um comportamento no cuidado dos filhos que vimos sendo feito nossa vida inteira e achamos natural, as vezes até confundimos com “instinto materno”, e acabamos não considerando gafes que fazemos com os pequenos. Eu pelo menos não sabia, antes de ler sobre isso.

Pode parecer besteira, mas procure explicar ao bebê tudo que você está fazendo com ele e peça permissão. Essa já é uma orientação comum entre especialistas hoje, não só no método Montessori, apesar de pouco praticado. Antes de sair manipulando o bebê avise: “agora vamos trocar a fralda, vou colocar você aqui no trocador, levantar suas pernas, …”. Imagine-se na situação em que precisasse de alguém que lhe desse um banho e a pessoa acha que porque está cuidando de você pode colocar a mão no seu nariz sem avisar e tirar uma meleca, por exemplo. Esse cuidado, além de demonstrar respeito, supre o interesse do bebê pela linguagem.

nada de nhem nhemPor falar em linguagem, é orientação de Montessori e dos fonoaudiólogos que ao falar com o bebê o adulto não deve entonar a voz, nem simplificar o vocabulário e, principalmente, não falar errado. Aqui é um exemplo clássico que seguimos de forma inconsciente um padrão comportamental e consideramos como demonstração de carinho, mas não é o recomendado pelos especialistas. Veja aqui uma matéria da Revista Crescer sobre O fim do “tatibitati”. Aqui tem outro texto muito interessante sobre “A relação dos pais com a fala da criança”.



2 comentários sobre “Primeiras atividades – Parentalidade

    • Oi Tici, que bom que você gostou.
      O problema com a ‘vozinha’ e os diminutivos é que tudo soa muito igual pra criança e isso não é interessante para aquisição de linguagem, mas não conheço alguém que vez ou outra não tenha usado. rsrsr

      Curtir

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