Silêncio: cérebro trabalhando.


Em muitas postagens já venho falando do alerta de Montessori para não interrompermos a criança quando ela está concentrada.

Montessori é explícita quando, em Mente Absorvente, declara que a concentração é o primeiro e o maior objetivo de seu método – Lar Montessori

Concentrada a criança atinge um estado de calma e felicidade que nós pais devemos favorecer.

Parece algo tão simples, não é? Basta não interromper. É simples sim, mas também  difícil porque nós adultos temos uma tendência natural de falar o tempo todo. O silêncio nos causa certo incômodo. Eu, muitas vezes, percebo que estou narrando o que Isa está fazendo (“Isa pegou a massinha pra brincar. Ahh Isa está fazendo uma bola…”). Quando me dou conta, penso: Cala boca Galvão!

Narrar, elogiar, dirigir a brincadeira, são algumas das formas de quebrar o silêncio e a concentração. O silêncio nos incomoda tanto que algumas pessoas deixam a TV ou o rádio ligados o dia todo, só para ter aquele barulhinho ali. Alguns estudos já comprovam que esse ruído de fundo, além de atrapalhar a concentração, atrasa o desenvolvimento da linguagem pelos pequenos. Aqui em casa, esse hábito já conseguimos mudar. Ligamos pouco a TV para assistir um jogo de tênis, um jornal às vezes, mas depois procuramos desligar. Pela manhã, antes do café, e no final de tarde temos o costume de ligar o rádio para dançar, mas depois da farra o som é desligado. Hoje em dia esse ruído de fundo já até me incomoda.

Montessori observou tantos benefícios no silêncio, além da concentração, que criou o Jogo do Silêncio nas salas de aula de crianças a partir de 3 anos. Para além do jogo, o silêncio é uma das características de uma sala de aula montessoriana. As crianças são incentivadas a fazer tudo sem ruído: andar sem se esbarrar nos móveis, fechar portas e gavetas de forma sutil e manusear os materiais atenciosamente. Pela nossa experiência, Isa fica muito realizada quando consegue controlar seus movimentos e fechar uma porta de forma tão lenta que não faça barulho.

O silêncio é importante sim, mas tudo deve ser ponderado.

Antes que se inicie a concentração, a professora pode fazer mais ou menos aquilo que bem entender: onde se faça necessário pode intervir na atividade da criança – Montessori, Mente Absorvente

 Na continuação desse trecho citado acima, Maria Montessori alerta para a importância de um adulto ativo, que sabe atrair as crianças, sabe despertar seu interesse por exercícios.

Como então saber quando a criança está concentrada deve ser sua pergunta agora. Minha única experiência é com Isa e Vicente aqui em casa, mas dando espaço para a observação é fácil notar quando eles estão concentrados. Vicente basicamente se concentra ainda analisando (com olhos e boca) objetos diversos. Já Isa, a forma que mais percebo ela concentrada é quando está “organizando” suas coisas. Pode ser tirando suas roupas da gaveta e colocando na cama numa ordem própria, pode ser posicionando os brinquedos numa sequência que apenas ela entende.

Devemos ser os guardiões dessa concentração quando ela acontece em casa. Para isso só devemos observar a criança e nos observar também.

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