Vamos lá fora?

maec-20160907Dentro de uma prisão de segurança máxima, um presidiário pode passar mais tempo ao ar livre do que uma criança. Segundo a última campanha da Omo, baseada num estudo conduzido pela Edelman Berland, 56% das crianças passa uma hora ou menos brincando ao ar livre. Nesse texto vou falar mais sobre a importância da natureza no método Montessori.

As vantagens de brincar ao ar-livre são inúmeras: produção de vitamina D, regulação emocional, habilidades visuais, resistência, força, controle do corpo, socialização e até prevenção de miopia.

Nos primeiros cinco ou seis anos de vida, quanto mais a criança se movimenta e aciona grandes músculos – como das pernas e dos braços – maior é o estímulo ao cerebelo, região localizada na base do cérebro, onde acontecem as sinapses (conexões entre os neurônios) – Revista Crescer

citac%cc%a7a%cc%83o-montessoriPara Montessori as vantagens são o amor pela natureza e o aprendizado real. Em seus estudos ela conclui que a criança só aprende de forma sensorial, botando a mão na massa e absorvendo conhecimento por todos os sentidos. As explicações dos adultos apenas complementam a experiência. Por isso no método Montessori é muito importante o contato com a natureza, seja na brincadeira livre ou dirigida. Do lado de fora é que a criança pode observar o mundo como ele é, com seus milhares de elementos funcionando em harmonia.

Sobre isso tenho um depoimento para compartilhar. Tivemos por 3 meses o coaching maravilhoso de Jeanne-Marie, da Voilà Montessori, e em uma das sessões eu perguntei a ela como eu poderia apresentar os cartões de linguagem junto com as miniaturas de img_1251animais da vida marinha que havia comprado a Isa (então com 22 meses). Essa é uma atividade que vejo constantemente nos blogs que acompanho e estava ansiosa para fazer com Isa. A resposta de Jenny foi: não faça a atividade até que tenha a oportunidade de mostrar a ela a vida marinha real, leve-a a um Aquário, a um mercado de peixes. Na mesma hora aquilo fez todo sentido pra mim e lembrei de uma convocação de Montessori para trabalharmos com a criança, de preferência com tudo que for real ao invés das suas reproduções. Não temos Aquário em Salvador, mas levamos as crianças no Projeto Tamar em Praia do Forte e outro dia na vila de pescadores de Buraquinho. Ansiedade superada, até hoje não fiz a atividade com as miniaturas.

Mesmo com tantas vantagens, a conveniência e segurança da casa e da escola tem tornado as brincadeiras ao ar livre cada vez mais raras nas grandes cidades, mas podemos mudar isso. Aqui em casa, depois do nascimento de Vicente, tínhamos caído nessa rotina enclausurada, mas há pouco mais de um mês me coloquei a meta de sair com as crianças todos os dias para um lugar aberto e passar ao redor de duas horas ao ar livre. Cada família pode trabalhar dentro das suas possibilidades. A nossa aqui é ir no parque, na praça ou numa casa de brincadeiras. As vezes vamos pela manhã, as vezes no final da tarde, o importante é ir todo dia. Minha experiência nesse primeiro mês tem me mostrado que vale a pena ignorar as desculpas, a preguiça nossa e das crianças e só ir. Quando estamos inspirados e com paciência fazemos uma atividade dirigida ou levamos bola, velotrol, giz, carrinho, as vezes combinamos com amigos, mas na maioria das vezes só saímos e vemos o que acontece lá fora.

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