Ensinar ensinando, não corrigindo.

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O lembrete de hoje é sobre a diferença entre ensinar e corrigir. A criança está ávida por aprender, mas ser corrigida o tempo todo é muito chato tanto para adultos quanto para crianças.

A criança está sempre fechando a porta com força e fazendo um barulhão. Calma, não precisa corrigir no momento. Espere, respire. Em outro momento, sem mencionar o erro, com alegria e empolgação, ensine a criança a fechar a porta devagar. Faça em várias portas da casa, faça várias vezes, transforme o aprendizado em algo agradável para ambos.

Existem outras situações que precisamos intervir imediatamente, mas ainda assim dá para ensinar o correto em outro momento. Por exemplo, a criança está pisando no sofá de sapato. Podemos simplesmente constatar “estou vendo que você está de sapato no sofá”, e oferecer opções “você quer ajuda para descer e tirar o sapato ou você pode fazer só?”. Num momento neutro de forma agradável podemos ensinar como retirar todos os sapatos que ela tem.

Outro exemplo mais desafiador retirado do Lar Montessori: uma criança que bateu em outra. Temos sim que pará-la imediatamente. Depois de forma amorosa, simples e direta, deve-se dizer o que ela fez, que é errado e por fim redirecioná-la. Porém, todo aquele longo sermão de que “isso é feio, etc” deve ser evitado. “Mais tarde, um ou dois dias depois, com o erro esquecido, ensinaremos a forma correta de fazer … Se ela bateu em alguém porque queria passar, ensinaremos a pedir licença… ” (Lar Montessori)

Essa abordagem de maior respeito com a criança produz dois efeitos, a criança tende a ficar mais receptiva ao aprendizado e aprende a se corrigir. A criança que sempre é corrigida pelo adulto se acostuma que é essa outra pessoa quem lhe diz o que é o certo e o errado.

“Uma das maiores conquistas da liberdade psíquica é a percepção de que podemos cometer um erro e que também podemos reconhecer e controlar o erro sem ajuda.”

Maria Montessori

Uma das características dos materiais pedagógicos propostos por Montessori é o “controle do erro”. De modo muito simplificado, o “controle do erro” é quando o próprio material indica o erro da criança. Por exemplo, um jogo de encaixe onde sobra uma peça. O professor não precisa apontar para o aluno se ele errou ou acertou. Se a peça está sobrando é porque está errado.

Fica aqui o lembrete de uma das coisas mais importantes que aprendi com Montessori até hoje: o erro não é importante. Corrigir o erro, também, não é importante, afinal todos erramos (adultos e crianças). O importante é ensinar o correto e dar a oportunidade da criança se corrigir.

2 comentários sobre “Ensinar ensinando, não corrigindo.

  1. Oi Marina! Recebo seus email e adoro o que estou aprendendo com você e a Montessori! Mad o texto de hoje me chamou a atenção em especial: tenho um menino de 22 meses que morde e dá tapa… sempre me mordeu, desde que vieram os dentinhos, e era só em mim e mais ninguém – nem mesmo no pai. Mas nesse último mês ele mordeu a filha de uma amiga que estava nos visitando em casa e na semana seguinte mordeu na creche e beliscou um coleguinha. Entendo o que você diz de que temos que interromper imediatamente e que sermão não adianta, mas uma criança nessa idade vai lembrar do ocorrido dois dias depois? Para essa idade, qual a melhor abordagem? Agradeço muito se conseguir me ajudar, até hoje não encontrei quem me ajude nessa questão… Joana

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    • Oi Joana,
      O legal é saber porque ele está mordendo especificamente. É por que não quer dividir brinquedo? É por que tá cansado?
      Aqui em casa temos uma situação um pouco inusitada, Isa morde quando está com fome. Ela fica com fome porque anda muuuioto seletiva pra comer e às vezes não aceita nada das mil opções que damos. Além disso acho que rola uma preguiça de parar e comer também.
      Mas voltando ao que seria indicado. Na hora que ele morder, fala com ele com calma “você mordeu e isso é errado” é redireciona ele. Dois dias depois você trabalha com ele aquilo que fez com ele mordesse. Não tem problema ele lembrar do erro, o importante é ensinar o certo para ele fazer da próxima vez.

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