Ficar em casa ou ir para escola? Ou…


Estou acompanhando a adaptação de Isa (24meses) nesse espaço lúdico terapêutico e lendo Montessori falar das mães mamíferas:

“Os cuidados dos animais que isolam os próprios filhos não se limitam ao corpo. A mãe preocupa-se também com o despertar psíquico dos instintos que nascem do íntimo do novo ser para formar um outro indivíduo da mesma raça.”

Maria Montessori em A Criança

Tivemos o privilégio de poder esperar o tempo que consideramos bom pra esse isolamento. O resultado está sendo uma adaptação tranquila pra ela e pra mim. A leitura de hoje foi coincidentemente apropriada e me emocionei ao me sentir a pássara que a acha que o filhote está pronto para pequenos voos. No texto de hoje quero explico porque ainda preferi não colocar Isa na escola.

Até agora Isa esteve sempre acompanhada de um cuidador primário. Convivia regularmente com crianças em atividades estruturadas como aulas de música, natação e brinquedoteca, mas apesar de meses nessas atividades ela não vinha criando vínculos. Talvez seja porque o foco nesse caso é a atividade e não a interação entre eles ou porque o tempo é curto, ou ainda porque Isa acabou sendo a mais velha nas turmas e ela não se interessa muito por crianças mais novas que ela. Essa falta de vínculo nas aulas me chamou mais atenção porque ela ficava em casa chamando seus amigos que são crianças que ela encontra de forma esporádica e sem atividades propostas. Na praça e no parque ela procura sempre socializar e qualquer criança é um amigo em potencial 🙂

Observando tudo isso, achei que ela podia aproveitar de um convívio regular mais extenso e que estava pronta pra vivenciar experiências sem nossa presença. Mas onde? Escola, pré-escola, creche?

Qualquer que seja o nome, não me agradava a ideia de instituições que tendem a reproduzir o modelo construído para o Ensino Fundamental (6 a 14 anos) de sala de aula, professor, aluno, conteúdo. Eu procurava outra coisa e ela existe.

Eu queria fazer a separação de forma bem gradual e portanto tinha que ser um lugar que ela pudesse ir somente dois turnos na semana. O espaço de convívio que escolhemos foi altamente recomendado por pelo menos 4 amigos, e apesar de ser longe de casa tem tudo que as escolas que visitamos por perto não tem: muita área verde, turmas multi etárias, sem farda e muito tempo livre. Tempo livre pra inventar a brincadeira, arrastar cadeira no pátio, balançar na rede ou correr até enjoar.

Esse aspecto do tempo livre  fez todo o sentido com o que venho lendo sobre a importância do tédio para as crianças. O tédio gera a necessidade da criatividade e ajuda a trabalhar a ansiedade.

Crianças precisam aquietar-se no tédio para que o mundo se torne silencioso o bastante para que ela se escute.

 

A área verde desse lugar também me chamou muita atenção porque nas escolas que visitamos, toda grama era sintética. Esse contraste me lembrou o antigo termo para as turmas dessa faixa etária: Jardim de Infância. Onde foi parar o jardim nas escolas?

Pretendo colocar Isa numa escola, só não acho que seja a melhor opção por enquanto.

2 comentários sobre “Ficar em casa ou ir para escola? Ou…

  1. Olá, poderia informar qual espaço é este, mesmo que seja por mensagem privada? Tenho uma filha de 1 ano e 8 meses atualmente, e a ideia é colocá-la na escola (tradicional – por falta de opção/budget) no ano que vem. Mas compartilho das mesmas ideias que as suas. Se puder compartilhar essa informação, agradeço.

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