Fantasia ou real?

A criança com menos de seis anos ainda está sendo apresentada ao mundo. Nós ,adultos, sempre dispostos a ajudar, falamos: está é a vovó, a maçã é vermelha, o cachorro faz “au-au”, tenha cuidado ao andar na grama porque o cachorro pode ter feito coco. Mas no livro o cachorro não faz “au-au”e coco na grama, ele fala, anda em duas patas e faz xixi no penico. Isa com dois anos ainda não viu ao vivo boa parte dos bichos que já conhece nas imagens dos livros e nas músicas. Ela não tem como saber que uma fada, por exemplo, não existe. Para ela a fada é tão real quanto o jacaré. Quando apresentamos um mundo fantasioso para a criança menor de seis anos estamos lhe prestando um desserviço. Ela já tem muito para aprender do mundo real, para ainda precisar separar realidade de fantasia.

tenha-livros

Talvez você já tenha passado pela situação na qual fez uma piadinha com algo fantasioso para uma criança pequena e ela não tenha achado a menor graça ou claramente riu para lhe agradar porque entendeu pelo seu tom de voz que ela deveria rir. Para uma pessoa que ainda aprendendo sobre tudo, uma formiga poder carregar 100 vezes seu próprio peso é tão “engraçado” quanto a formiga usar óculos de sol. Por isso, ela não vê graça, ela absorve a informação.

Aqui em casa eu sou criteriosa com os livros, imagens, músicas e programas de TV que apresento a Isa e Vicente. Não posso controlar tudo que eles entram em contato e não me estresso com isso. Justamente por serem pequenos, se eu controlo o que entra em casa, isso já abarca boa parte do que veem.

O método Montessori é ainda mais criterioso. Há uma atividade característica do método que trata de apresentar miniatura de animais e depois relacionar a miniatura com a imagem correspondente. Nessa atividade é  recomendável que o tamanho das miniaturas sejam proporcionais entre si. O meu exemplo, da foto abaixo, não é dos melhores porque a vida marinha tem uma enorme variedade de tamanhos. De qualquer forma, eu não deveria colocar aquele caranguejo junto ao polvo, arraia e lula. O carangueijo é normalmente menor que a lula, mas na miniatura da foto estão do mesmo tamanho, o que causa uma desinformação para a criança. Não se convenceu?! Mas… o que você sentiria se alguém lhe apresentasse algo equivocado? Alguém a quem você nem  pediu que lhe ensinasse essa determinada coisa.

img_1251

É bem difícil encontrar produtos que apresentem apenas o real, os livros infantis estão cheios de animais antropomorfos. Eu acho tão difícil encontrar que até já propus a uma amiga ilustradora fazermos nossos próprios livros, mas a crise e outros projetos deixaram isso no limbo. Enquanto não viro escritora, vou compartilhando com vocês o que tenho achado de qualidade por aí e adoraria que vocês também compartilhassem comigo.

Há quem pergunte se esta “restrição” irá limitar a criatividade da criança. Para isso, Montessori já tinha a resposta:

Experiências de crianças pequenas com o mundo real tornam-se a base para a sua imaginação e pensamento criativo nos anos da escola primária, quando já não possuem uma mente absorvente, mas uma mente racional.

Citação a Montessori pelo livro Montessori from the start

Para aprofundar a leitura nesse assunto sugiro ler os seguintes textos do Lar Montessori:

Natal sem Noel: uma perspectiva a favor da imaginação.

Imaginação e fantasia: datas comemorativas.

6 comentários sobre “Fantasia ou real?

  1. Tem uma música do Bita que ele fala dos animais que não existem se verdade, nela, ele cita o unicórnio, o bicho papão, a fada, dentre outros. No caso, se a gente apresenta e ao mesmo tempo dá elementos pra criança discernir o real do imaginário (como na música)…. é possível essa compreensão antes dos 6 anos?

    Curtir

    • Danika, obrigada pela pergunta. A capacidade de discernimento vai aumentando gradativamente até que ao redor dos 6 anos a criança já tem uma boa compreensão para distinguir fantasia de realidade. Como não é uma mudança brusca, é provável sim que a criança faça essa distinção para algumas coisas antes dos 6. Mas se apresentamos os elementos fantasiosos nesse momento estamos dificultando a compreensão dela do real, quando o que devemos fazer é retirar obstáculos. Nós adultos devemos ajudar a criança a ordenar as informações que chegam pelo contato com a realidade e não aumentar o grau de dificuldade. 😉

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s