Brincando de massinha com princípios Montessori

Massinha.capa1Toda criança adora massinha e, consequentemente, toda mãe adora massinha! As crianças ficam sentadas trabalhando por longos minutos e nós podemos fazer mil coisas, inclusive descansar observando-os. O aniversário de 3 anos da Pitchuca se aproxima e eu tinha colocado os brinquedos de massinha na minha lista de sugestão para aquelas pessoas mais próximas que sempre perguntam o que presentear, mas já mudei de ideia. Num desses dias de descanso/observação eu percebi como já temos todo kit necessário pra uma brincadeira aberta (em inglês oppen ended play). No texto falarei como temos usado a brincadeira de massinha seguindo os princípios Montessori e porque não acho que mais utensílios iriam contribuir.

Ainda que massinha não seja um material do método Montessori, ela é encontrada em escolas e casas que seguem o método porque podemos usar seus princípios para obter o máximo de proveito:

  • concentração
  • senso de ordem
  • independência
  • criatividade
  • refinamento sensorial e coordenação

Começando pela primeira e mais importante, a massinha é uma atividade que favorece a concentração das crianças. Isso toda mãe já pôde observar em casa. Só precisamos respeitar o momento e controlar nossos impulsos de falar e dirigir a atividade. Falei nessa postagem sobre a importância do silêncio e da concentração.

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Para que qualquer atividade desenvolva o senso de ordem nas crianças, especialmente as pequenas, elas devem ser simples. Fica mais fácil ordenar poucos itens para brincar e para guardar ao final. Facilita, também, o ordenamento mental da criança se os itens estiverem separados por categorias. Aqui em casa eu troquei as duas mochilinhas que vieram com as massinhas por tupperwares e uma caixa grande. Eu organizei em 3 categorias: utensílios (faca, rolo, etc), forminhas, e extrusor.

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Depois organizei juntamente as massinhas numa caixa grande.

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O processo dessa organização foi feito com as crianças. Aproveitamos para limpar todos os utensílios numa farrinha no banho.

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Depois da organização eu estou mais tendenciosa a doar algumas formas e carimbos do que pedir brinquedos similares.

Como estou buscando apoiar a independência no brincar, não é coerente dar-lhes brinquedos que elas dependam de mim para montar ou executar. Torres de cupcakes, salões de beleza e outros kits estão por hora descartados.

O motivo principal de ter optado por não querer esses brinquedos de massinha temáticos (cupcake, sorvete, pizza e personagens) é porque limita a criatividade da criança. Quando ela recebe um brinquedo que tudo (nome, caixa, aparatos) lhe direciona para brincar de uma determinada forma, é mais difícil que se permita fugir daquela proposta. Com apenas a massinha é possível fazer todos esses itens e muitos outros. Quando eles pegam essa caixa com utensílios genéricos a brincadeira pode começar sendo comida, depois relógio, depois roupa de boneca e mil outras coisas. Na maioria das escolas e casas Montessori em que há massinha, ela está na parte das artes.

“Estamos limitando a criatividade dos nossos filhos abarrotando eles de escolha? Ao dar-lhes muito? Ao ditar como eles vão brincar? Otis ainda é tão jovem. Tanto para explorar. How we Montessori (livre tradução Marina Barral)

Para o refinamento sensorial e coordenação a massinha é boa especialmente para mim que sou mãe de duas crianças com idades diferentes. Cada um sente necessidade de desenvolver movimentos diferentes e eles podem escolher com as opções de utensílios que temos qual sentem vontade de usar e ainda assim estarem na mesma brincadeira. O pequeno de 1,5 ano tem treinado muito o movimento de cortar e espetar. Eventualmente também a carretilha. Já a mais velha, de quase 3 anos, que tem esses movimentos bem dominados, vem optando por usar o extrusor. Há um mês ficou muito feliz de ter conseguido fazer o movimento sozinha.

As atividades de preparação de alimentos são uma parte importante do método Montessori. A massinha ajuda a desenvolver muitas das mesmas habilidades que as atividades de preparação de alimentos exige. Ainda dá para ter seu filho ajudando na preparação caseira da massinha e será outra ótima atividade inspirada em Montessori.

 

Parede da Paz

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Passados alguns meses pensando sobre a não violência, queríamos que nossa casa refletisse esse clima. Procurei imagens que também me servissem como lembretes de atitudes que eu gostaria de ter.  Encontrei todas de forma gratuita na internet, basta clicar na imagem para ir ao endereço de onde baixei.

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Respire. Essa imagem está aí para me lembrar de respirar e esperar pelo menos 3 segundos antes de reagir em alguma situação de conflito. Respirar também para me tornar disponível ao ritmo mais lento das crianças. Mudei muita coisa na nossa rotina para desacelerar. Cancelei quase todas as atividades deles e minhas que tivessem horários.

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Essa é uma imagem que ilustra os 4 passos da CNV (Comunicação Não Violenta): observação, sentimento, necessidade e pedido. Está em francês, mas foi a mais bonita e didática que encontrei. Em Maio de 2016 eu fiz um curso de CNV com a Carolina Nalon e venho tentando praticar desde então. Não dá para usar os 4 passos com as minhas crianças que ainda são pequenas, mas dá para usar os conceitos. O primeiro conceito que comecei a usar é o de que eu sou a única responsável pelos meus sentimentos.

“Os outros (…) são estímulos mas não a causa dos meus sentimentos. Uma prova disso é que eu posso passar pela mesma situação em diferentes momentos e sentir sentimentos diferentes. Gosto bastante do exemplo da fila do supermercado. Se eu estiver super cansada em uma quarta-feira à noite e for fazer compra em um supermercado lotado eu provavelmente vou ficar irritada, e se a mulher do caixa demorar um minuto a mais do que o normal a chance de eu ficar estressada é bem grande…

Se por outro lado eu estiver tranquila, relaxada e sem pressa, a mesma fila de supermercado talvez não tire um centímetro da minha paz.” – Carolina Nalon

Outro conceito que tenho usado: todos compartilham as mesmas necessidades humanas básicas, e cada uma de nossas ações são estratégias para atender uma ou mais dessas necessidades. Esse é o pulo do gato! Quando você aprende a enxergar que seu filho não está chorando desesperadamente porque quer sentar no carrinho do mercado, o carrinho é a estratégia que ele elaborou para atender qual necessidade? Talvez diversão? Veja aqui uma lista de necessidades humanas universais para ter uma idéia. Quando você identifica a necessidade consegue propor uma alternativa viável.

Tenho procurado usar alguns dos conceitos comigo também: identificar meus sentimentos e minhas necessidades antes de explodir e, a depender do caso, comunica-los a meus filhos.

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A imagem de Amelie Poulain está na parede para me lembrar que pequeníssimas atitudes podem mudar radicalmente o dia do outro.

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“É importante voltarmos a nos apaixonar pela dor do outro, a gastar tempo em silêncio pelo outro, a sentir o outro” – Feliz Simões. Nossos filhos começam a chorar e imediatamente tentamos calar o choro, seja dizendo que ele não tem motivo, seja tentando consolar. As vezes nossos filhos precisam colocar o sentimento pra fora em forma de lágrimas. Precisamos ter paz para esperar e para oferecer ajuda e empatia.

“Perder a paciência é perder a batalha” –  Gandhi. Essa é auto-explicativa.poster#35“Qual memória você vai criar hoje?” me lembra que sempre temos escolha e que nossas escolhas tem consequências. Por incrível que pareça o grito, a ameaça, a exigência da obediência são opções. A criança se jogou no chão, como você vai reagir?

poster#27Acabamos dizendo muitas coisas na negação e o “não” é um conceito difícil para a criança, principalmente para os bem pequenos, como meu caçula de 1,5 ano. Quero lembrar de sempre reformular a frase para dizer o que ele pode fazer.

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Símbolo da não violência, conhecido como mão do Ahimsa. É o primeiro e mais importante preceito ético de Yoga: O ser humano não deve agredir gratuitamente outro ser humano, nem os animais, nem a natureza em geral. Não deve agredir fisicamente, nem por palavras, atitudes ou pensamentos. Permitir que se perpetre uma agressão, podendo impedi-la e não o fazer, é acumpliciar-se no mesmo ato.

let that shit go

“Deixa essa merda pra lá.” Não compre uma briga com uma criança, deixa pra lá. Encare como uma oportunidade de ensinar a ela a como lidar com essa situação. Você pediu pra seu filho calçar o sapato e ele insiste que não. Não continue na mesma tática de querer exigir obediência, mais vale a pena convencer seu filho de outras formas: que tal sair com um pé de cada sapato? Deixe pra lá a forma como os adultos reagiram com você quando você era criança. Nosso trabalho enquanto pais é de ir melhorando a humanidade a cada geração, se insistirmos em repetir, não sairemos do lugar. Concorda?

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Qualquer correção que a gente faça com amor será melhor absorvida pela criança do que a correção com grito. Existe uma expressão em inglês que gosto muito: “conect before correct” (conecte-se antes de corrigir). Procure se conectar fisicamente com a criança que está se comportando mal: abaixe-se, olhe no olho, toque nela. Dessa forma será mais fácil se conectar emocionalmente e ter empatia. Procure entender que todo mal comportamento é um pedido de ajuda.

* Esta imagem não está disponível para download. Comprei uma placa de madeira tipo essa.

 

Espero que tenham gostado das imagens e dos lembretes. Até mais!