Estereótipos de gênero – desconstruindo com Montessori

Estereótipode gênero

O gênero é uma das principais formas de identificação na primeira infância. É também um tema que tem recebido atenção e levantado polêmicas entre os pais. Nesse texto passarei à margem das polêmicas sobre ideologias de gênero para falar de algo que parece ser consenso: diminuir os estereótipos de gênero. Os estereótipos de gênero padronizam exageradamente os comportamentos sem questionar se as individualidades estão sendo respeitadas e quais as consequências disso. Por mais de 100 anos, o método Montessori vem promovendo a diminuição desses estereótipos. Como?

O consenso entre as novas pesquisas e o bom-senso da maioria dos pais aponta que quando as delimitações de comportamento para meninos e meninas são excessivas, os mundos das crianças tornam-se mais limitados. Meninas não podem brincar no chão de perna aberta, meninos não podem chorar. Os limites dos estereótipos ultrapassam o comportamento e atingem as habilidades das nossas crianças.

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“The toy ship” de Konstantin Razumov

Os brinquedos tradicionalmente masculinos estimulam as habilidades visuais e espaciais, enquanto os brinquedos tradicionalmente femininos estimulam as habilidades sociais. Se as crianças brincam apenas com uma categoria, então elas podem não desenvolver aquela outra habilidade. Além disso, seus próprios interesses e suas crenças sobre o alcance dos seus sonhos podem ser impactados. Os estereótipos podem condicionar suas metas acadêmicas, sua escolha profissional e interação social.

 

 

Como o método Montessori diminui os estereótipos de gênero? Através do trabalho. Trabalho para crianças de 3 anos? Sim. Trabalho real, com propósito e direcionado para crianças de 3 anos (ou qualquer outra idade). Isso significa que, ao invés de brincar com comida falsa em uma cozinha de mentirinha, Montessori demonstrava às crianças como preparar comida de verdade para seus colegas comerem. Ao invés de vestir bonecas, as crianças aprendem as habilidades necessárias para se vestir. 

No vídeo abaixo vemos uma criança fazendo um lindo trabalho de polimento em uma escola Montessori. 

Silver Polishing from River Valley Montessori on Vimeo.

Maria Montessori baseou seu método em horas de observação e concluiu que todas as pessoas (independente do gênero, classe social ou cultura) têm períodos sensíveis e tendências humanas que guiam o desenvolvimento. As atividades propostas levam em consideração os interesses de cada período sensível e o interesse inato da criança em qualquer idade em participar das atividades cotidianas dos adultos.

Outra questão relevante: os materiais Montessori não estereotipam a criança com a imposição de uma estética dita infantil. A vassoura infantil no método Montessori não é a vassoura rosa de plástico, que não varre migalhas. É sim a vassoura igual a do adulto em utilidade e estética, porém pequena. Vale lembrar que o estereotipo de estética infantil vem atrelado quase sempre a estereótipos de gênero: a vassoura é rosa e é de menina, a ferramenta é azul e é de menino. Pesquisadores descobriram que um dos dois aspectos principais do ambiente da primeira infância que influenciam as percepções das crianças quanto a estereótipos de gênero é o material de sala de aula. Ao redor do mundo encontramos uma proliferação de brinquedos de gênero, como conjuntos de cozinha rosa e uma grande proporção de livros que perpetuam o preconceito de gênero. 

 

Aqui em casa sigo esses princípios: adoto materiais reais sem gênero, observo e promovo seus interesses particulares e incluo as crianças na rotina dos trabalhos domésticos. Além disso, procuro também desconstruir outros estereótipos de gênero comportamentais:  como rosa é de menina, cabelo curto é de menino. A parte mais importante dessa desconstrução vem do exemplo; outra parte, do discurso e conversas diárias sobre as menores coisas. Aqui em casa também veto livros que reforçam esses estereótipos (tenho uma birra particular com os contos tradicionais europeus!). Além disso, procuro ofertar roupas que não sejam marcadamente como “roupa de menina” ou “roupa de menino”.  O pequeno herda muitas roupas da irmã, inclusive suas sandálias rosa, que ele adora. Apesar desse esforço intencional em desconstruir os estereótipos de gênero, tenho consciência de que absorverão não seus modelos exclusivamente por mim e sim de todos os seus contatos sociais e também de si mesmos. Nesse momento, a minha mais velha (com 3 anos e 9 meses),  está endossando os estereótipos dos gêneros e rigidamente tentando colocar tudo em caixinhas. Para mim é importante respeitar sem reforçar, seguirei sendo seu apoio para quebrar limites e não impô-los.


As roupas que meus filhos estão usando podem se encontradas na marca de moda infantil sem gênero @yumpilumpi

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