10 passos para apresentar uma atividade Montessori para bebês

A internet está repleta de atividades montessorianas para fazermos com nossos filhos, mas você sabia que Maria Montessori deixou orientações de como devemos apresentar essas atividades para a criança? Pode lhe parecer estranho, mas para mim, mais importante do que fazer muitas atividades é a preparação do adulto que acompanha essa atividade. Fiz um vídeo 3:30 em que demonstro a atividade do cofre (numa variação mais fácil) para Vicente (13 meses) e pontuei 10 passos que o adulto deve seguir na demonstração de qualquer atividade Montessori. No texto a seguir explico um pouco mais cada um deles.

1 – Prepare a atividade antes

Esse é um passo prévio, mas muito importante. Caso você note que falta algum material no momento da apresentação, a sua saída para buscar isso desconcentra a criança. De preferência ensaie a apresentação. Eu sempre me arrependo quando não ensaio, porque é o momento em que avalio qual a melhor forma de apresentar a atividade, qual o movimento da mão mais adequado, qual o angulo mais adequado e se realmente o material está totalmente compatível. Mas mesmo com ensaio, é claro que na hora da atividade em si você sempre notará melhorias que podem ser feitas

2 – Convide a criança

Por mais simples que pareça, há muita diferença entre ser convidado a trabalhar e ser instruído a fazê-lo. Diga a criança que tem algo para mostrá-la e peça que venha com você.

3 – Sente-se do lado dominante da criança

Sente-se no lado dominante da criança, do lado que ela tem mais habilidade, que escreve ou escreverá. Desta forma, a criança pode assistir e copiar seus movimentos exatos. Isso pode significar que você precisa aprender a apresentar atividades com sua mão não-dominante! Você deve ter notado no vídeo eu me equivoquei. Como sou canhota tenho que prestar o dobro de atenção porque minha tendência é sempre ir para o lado esquerdo, mas minhas duas crianças são destras.

4 – Demonstre, não explique

Use o menor número possível de palavras durante as apresentações. O foco da criança deve estar nos materiais e na apresentação, não em suas palavras.

5 – Demonstre da esquerda para direita, de cima para baixo

Todas as apresentações se movem nessa direção como uma preparação indireta para a leitura e escrita ocidental.

6 – Não corrija, observe

A criança não realizará a atividade com 100% de precisão na primeira vez. Ela irá executar da forma que entendeu que era para fazer e da forma como é capaz de fazer. Não corrija, interrompendo assim o fluxo da atividade, o erro não é importante. Da próxima vez que for apresentar a atividade novamente demonstre como se fosse a primeira vez, sem elevar o tom de voz onde ela errou.

7 – Faça movimentos lentos e conscientes

Pode parecer lhe parecer muito simples, mas para a criança é tudo novo. Retarde para que ele possa ver sua exatidão. Seus movimentos também devem ser lentos e conscientes durante a execução da atividade pela criança para não lhe tirar o foco.

8 – Mantenha o contato visual

Mantenha contato com os olhos ao convidar ou falar com a criança. Isto respeitosamente diz à criança que ele tem a sua atenção. Em troca, os olhos da criança dizem que a criança está pronta para aprender.

9 – Deixe repetir quantas vezes quiser

Não existe um tempo delimitado nem um número de vezes determinado a fazer. Respeite o tempo da criança naquela atividade, isso vai depender da complexidade e do seu interesse. Incentive-os a usar os materiais repetidamente para aumentar seu domínio, mas também não insista.

10 – Ao sinal de desinteresse, finalize

Se a criança não está interessada ou está cometendo erros, ponha a atividade fora. Haverá outra oportunidade para apresentá-la mais tarde. Pare antes de você e a criança ficarem frustrados.

Fontes

Material produzido por Soraia Andreia Silva, da moderação do grupo Montessori para Famílias e North American Montessori Center. Espero que seja de utilidade para mães que estão iniciando no método e podem ter algumas dúvidas.

Esclarecimentos

A – Cada atividade é uma oportunidade de apresentar novo vocabulário. Quando isso ocorrer, use a Lição em 3 Tempos. Ela foi suprimida desse material porque merece um vídeo exclusivo para ser devidamente exposto.

Deixo aqui a explicação do Lar Montessori da Lição em 3 Tempos:

Incialmente se mostra os dois objetos e se nomeia a ambos: “Isto é uma colher, isto é um garfo”. Em seguida, pede-se que o aluno aponte, pegue ou mova “a colher”, ou “o garfo”. Depois de algumas variações desta segunda parte, pergunta-se ao aluno “Qual é este?” e “Qual é este?”, apontando-se uma vez a cada objeto. Assim, na primeira etapa nomeia-se algo, transmite-se uma informação. Na segunda, associa-se o nome ao objeto de fato, por meio do movimento, principalmente. No terceiro tempo, testa-se o aprendizado da criança, para que saibamos se a lição foi cumprida. Usa-se poucas palavras, para não confundir a criança, e para que ela possa, a partir deste momento, exercitar-se livremente, sem precisar ficar presa ao adulto por muito tempo. – Lar Montessori

B – Existem pequenas variações ao apresentar atividades para crianças maiores. Depois de uma determinada idade as atividades incluem breves e claras explicações de como proceder.

C – Agora que você já sabe como apresentar qualquer atividade, concentre-se em escolher uma. Não se preocupe com a quantidade de atividades, mais importante é que esteja de acordo com a etapa de desenvolvimento do seu filho. Para isso, leia sobre Períodos Sensíveis. Sugestões:

Esses textos do Lar Montessori.

Esse quadro de atividades do Voilà Montessori (em espanhol e requer cadastro de e-mail)

Barra no quarto

barra

Vicente já estava se apoiando em todos os móveis da casa para se erguer e decidimos que era finalmente hora de instalar a barra que estava guardada na dispensa há meses. A barra dá aos bebês um lugar seguro para praticar as novas habilidades de se erguer e andar de lado. Aqui nós colocamos uma barra de cortina de 90cm no quarto dele e ele tem aproveitado bastante.

O recomendado é que a barra tenha aproximadamente aprox. 2cm de diâmetro e esteja afastada do chão a aprox. 36cm do chão. A nossa aqui meu marido resolveu colocar mais alta, mas Vicente se virou direitinho. A idade que a maioria dos bebês começa a se segurar para se erguer é ao redor dos 9 meses, então já deixe a sua barra montada antes disso.

Vi uma dica interessante no grupo Montessori para Famílias do Facebook: pendurar alguns poucos objetos na barra para estimular que o bebê caminhe de uma ponta a outra. Aqui deu certo. Vide primeira foto.

Nós colocamos essa barra de 90cm no quarto, mas vocês podem ver na foto abaixo uma idéia legal para colocar uma barra maior no corredor.

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Barra do corredor. Blog Acaratapa.

Além de colocar a barra é oportuno fazer uma nova vistoria no quarto (e na casa) nesse período para verificar que todos os objetos onde a criança eventualmente possa se segurar são firmes e seguros (bancos, mesas, objetos de decoração).

 

12 livros para ler com seu bebê

12 livros para ler com seu filho

Todos os 12 livros que recomendo aqui leio com meus filhos desde que eles tinham 3 meses até  hoje (a mais velha tem 2,5 anos). Todos atendem aos meus critérios básicos de livro para bebê:

  • Possuem páginas grossas para resistir ao manuseio do bebê e para facilitar que eles passem as páginas sozinhos;
  • Não tem elementos fantasiosos (fadas, animais falantes, casa de doce, …). A razão está aqui;
  • São bonitos, o que convida à leitura;
  • Possuem temas variados para servir de pretexto em nossas conversas.

Começarei colocando abaixo a lista completa com título, editora e preço.  Na sequência falo o que acho de cada um:

  1. Global Babies, Charlesbridge Publishing, R$ 30,21
  2. Filhotes do barulho, Tiger Tales, R$ 43,90
  3. Bichos do Sítio. Com meus dedinhos. Usborne, R$28,70
  4. Animais Fantásticos, Vale das Letras, R$ 49,90
  5. Da Cabeça aos Pés, Callis, R$ 39,70
  6. Baby Signs, Dial Books, R$ 27,80
  7. Baby Touch and Feel – Animal,  DK, R$ 13,70
  8. Filhotes, Zastras, R$ 22,90
  9. Conte de 1 a 5 – Sons divertidos, Usborne, R$ 42,90
  10. The wheels on the bus, Child’s Play, R$ 58,02
  11. A Incrível Caixa dos Animais Aquáticos (4 livros), PubliFolhinha, R$ 52,90
  12. Mãozinhas Pequenas: Fazenda, Corpo, Escola, Vrum! (5 livros), Yoyo Books, R$ 43,90

globalbabiesO Global Babies é o meu preferido. Adoro ele pela sua simplicidade e beleza. São 17 fotos de bebês de culturas ao redor do mundo. Com esse livro falo sobre diversidade étnica e cultural (formato dos olhos, roupas, adereços, a forma com que a mãe leva o bebê, etc) e também sobre sentimentos e emoções (sono, alegria, susto, frio, etc). Não tem nada que eu não goste nesse livro.

filhotesdobarulho O Filhotes do Barulho Vicente ganhou de presente de aniversário e foi uma grata surpresa. O que mais gosto nele é a qualidade da imagem com fotos lindíssimas de bichos reais. Não sou muito fã de livros com barulho, mas as crianças gostam bastante. O único ponto negativo do livro é que os botões que acionam os barulhos são um pouco duros. Vicente ainda não consegue sozinho, Isa sim.

bichosdositioO Bichos do Sítio é um livro de ilustrações e janelas interativas. Destaque para as janelas interativas embutidas que são à prova de bebês (que é o que precisamos quando as mãozinhas ainda estão aperfeiçoando as habilidades). O tema de bichos é bem comum, mas esse trás certa interação entre eles: gato que toma o leite da vaca, o cachorro que corre atrás da ovelha, …

animaisfantasticosAnimais Fantásticos é um livro grande, de quase 30cm. Gosto por se tratar de fotos reais e por conter animais da nossa fauna, o que permite conversar sobre eles com as crianças. O que eu não gosto é que ele mistura animais de diferentes ecossistemas no mesmo livro e para mentes absorventes isso pode ser um pouco confuso. Os sons sempre agradam os pequenos e nesse livro são fáceis de apertar.

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Da Cabeça aos Pés é um livro de ilustrações que convida os pequenos a imitarem os movimentos do animais (gorila, elefante, pinguim, girafa, etc.). Desde de que Isa tem ~1,5 ano ela imita e se diverte muito com isso. Em forma de brincadeira, a criança vai ganhando noção do próprio corpo e do que ele é capaz de fazer. Aqui em casa é sucesso absoluto. É verdade que as ilustrações não são das mais realistas, mas também não são fantasiosas. Infelizmente esse é mais um livro que mistura animais de diferentes ecossistemas.

babysignsO intuito do livro é ajudar os pais a ensinarem a linguagem dos sinais para seus bebês. Mesmo para famílias que não estão muito interessadas nesse objetivo, que foi o meu caso, o Baby Signs é um livro bacana. Como ele mostra elementos do dia a dia de um bebê, pode servir de pretexto para conversar sobre a rotina. O que eu não gosto é que ele mostra o bebê “se comportando mal”, como por exemplo jogando a comida no chão. Isso é complicado de explicar para bebês bem pequenos.

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Outro livro bonito, com fotos reais e texturas. Baby Touch and Feel – Animals, é bom para falar dos animais. Gosto nele a capa acolchoada e da simplicidade. Bom para bebês pequenos porque as fotos não tem “background”, são apenas os animais no fundo de cor sólida, aumentando o contraste. Por ser de tamanho médio (13cm) é ótimo para ser colocado em pé no chão para a prática de bruços de bebês entre 2 e 7 meses.

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Filhotes é um livro de ilustrações de animais com abas interativas. Seu ponto positivo é mostrar que todos os bichos tem seus “bebês”. Esse é um tema muito legal de conversar com as crianças. Ponto negativo: as abas não são a prova de bebês. Uma vez, quando Isa tinha 1 ano, e estávamos só as duas no carro, eu entreguei esse livro para ela ir se distraindo na viagem. Quando chegamos, ela tinha comido metade de uma das abas.

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Livro de ilustrações de animais com sons. Como o título já diz, Conte de 1 a 5 tem o bônus de tratar divertidamente sobre quantidade. Essa noção está presente de duas formas: quantidade de bichos na página e quantidade de vezes que o bicho emite seu som. Na primeira página tem uma vaca e no botão “1” ela muge uma vez. Na segunda página tem duas ovelhas e no botão “2” tem dois berros. E por aí vai.

thewheelsonthebusThe wheels on the bus é um livro de ilustrações que retrata a canção de mesmo nome. Quando as crianças são novinhas lemos o livro apontando os elementos para ampliar vocabulário. Com Isa que já está com 2,5 anos a graça é fazer piada com as cena de diferentes personagens que estão correndo para pegar o ônibus. A cada pessoa que entra o o ônibus notamos como ela interferiu no grupo que estava dentro.

incrivelcaixaA coleção da Incrível Caixa dos Animais Aquáticos é a única que conheço que se preocupa em selecionar os animais em categorias: animais do fundo do oceano, os grandes animais marinhos, os divertidos animais da lagoa, os animais do rio e do mar. Os livros são curtos e interessantes por ter uma boa mescla de ilustração, foto e textura. Além dessa variedade visual e sensorial, traz informações em texto sobre hábitos e características dos animais escolhidos. Seu defeito é ser difícil de encontrar atualmente.

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Mãozinhas Pequenas é uma coleção que vem numa caixa. Legal por trazer temas variados, servem de apoio para ampliar o vocabulário com os nomes de meios de transporte, brinquedos, partes do corpo, o que tem na escola e na fazenda. Como os livros são pequenos, cerca de 10x10cm, são os que eu deixo numa cestinha ao lado do penico para ler com Isa no banheiro.

Querid@s leitor@s, essa postagem possui links afiliados. Isso significa que caso você se interesse por algum dos livros que eu indiquei e comprar através dos meus links eu ganho uma comissão. Todos eles são livros que eu comprei para os meus filhos e gostei. Obrigada!

Como fazer um rodízio diário de brinquedos

Rodízio Diário.pngHoje vou contar como fiz para organizar um rodízio diário de brinquedos aqui em casa. Eu já deixava poucos brinquedos disponíveis e já fazia rodízio, mas as duas coisas andavam meio frouxas. Os brinquedos acabavam se acumulando ao longo da semana, eu demorava de fazer o rodízio e com brinquedos guardados pela casa toda era difícil saber onde estava cada um. Eu vi essa idéia de fazer um rodízio diário no ano passado no blog da americana CandoKiddo e finalmente decidi colocar em prática.

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A estante em nichos eu já tinha e ela tem vantagens e desvantagens. Com os espaços bem definidos ajuda na organização, inclusive por parte das crianças. A desvantagem é que algumas coisas não cabem. Eu separei mais ou menos 9 brinquedos por dia, sendo 6 nos nichos e 3 no tapete. Essa quantidade é mais que suficiente para Isa e Vicente brincarem.

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caixaPara organizar os brinquedos que ficam fora do rodízio eu comprei 5 arquivos como esses da foto. O tamanho foi ideal para colocar tudo no meu armário. Com cinco caixas eu consegui montar um rodízio (praticamente) diário. Do sábado pro domingo decidi não mudar porque não ficamos muito em casa e não tenho ajuda por aqui. O motivo para deixar as caixas no meu armário e também da cor fosca é manter fora dos olhos curiosos dos pequenos. Uma dia, ainda na outra casa, Isa descobriu onde guardávamos os livros fora do rodízio e sua brincadeira virou pedir para levantá-la para escolher livro. Não queria ler nenhum, só escolher um depois do outro.

Como as caixas são foscas eu senti necessidade de ter uma legenda visual. Ficou ótimo, porque eu consigo saber o que tem dentro e Isa não. Aproveitei e coloquei na legenda os dias da semana.

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O motivo de deixar poucos brinquedos é evitar o excesso de estímulo nas crianças.  Com poucas coisas disponíveis para escolher eles conseguem se concentrar melhor. Outro motivo é facilitar a organização. Crianças pequenas estão no que Montessori chamou de período sensível para ordem. É, eu sei, eles bagunçam bastante, mas acredite, a bagunça não lhes fez bem:

A criança necessita da ordem durante toda sua primeira fase de vida (…), mas dos dois aos quatro anos ocorre a transformação da mente absorvente inconsciente em mente absorvente consciente, e esta fase é especialmente frágil no desenvolvimento dos pequenos, por isso um mundo organizado é especialmente importante. Nessa transição, ela deixa de absorver tudo o que vê para começar a compreender ativamente e interferir na realidade, e um mundo no qual as coisas fiquem sempre no mesmo lugar, (…) é um mundo agradável para o desenvolvimento da cognição infantil.

A ordem do ambiente físico é a primeira a que podemos nos atentar. (…) No começo, até os dois ou três anos, mais ou menos, a ordem depende totalmente de nós. Três vezes por dia é necessário reorganizar tudo. A partir dessa idade, entretanto, quando a criança já consegue carregar suas coisas, pode nos ajudar – só é necessário lembrá-la todas as vezes, até os seis anos de idade às vezes, de que precisa guardar o que pegou. Para funcionar, é claro que nós temos de agir exatamente da mesma forma. Um adulto que faz bagunça cria crianças que sabem trabalhar em equipe: bagunçam junto.

Lar Montessori

Com poucos brinquedos para serem guardados é muito mais fácil engajar as crianças e mais fácil para os adultos manterem a ordem. 🙂

Adorei que consegui fazer o rodízio diário. Foi uma coisa que me deu um certo trabalho um dia, mas que facilitou muito minha vida. Eu sentia preguiça de pensar o que trocar, o que deixar,  assim nem preciso mais, é só pegar a caixa do dia e pronto.

dica de ouro.pngAh! Já ia me esquecendo. Tenho uma dica de ouro para compartilhar. Quando for deixar disponível qualquer jogo de montar, deixo-o desmontado, com as peças dispostas num cesto. Dessa forma o brinquedo convida a criança a montá-lo. Além disso, se a criança não conseguir montar completamente o brinquedo, diminui a probabilidade de frustração porque as peças desmontadas também tem seu lugar para ficar. Essa dica maravilhosa eu aprendi com a Jenny do Voilá Montessori.

Aprendendo sobre o dia, a noite e o clima.

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Hoje vou falar como preparei a casa, atividades e livros que estamos usando para ajudar Isa a entender sobre o dia, a noite e  o clima.

IMG_2493Começamos há alguns meses com o mural na geladeira. Nele a criança “registra” o clima. Eu fiz no powerpoint, ajustando as nossas particularidades: sem texto porque ela ainda não lê, simplificando as opções de clima e evidenciando o dia e a noite. Usei como referência o relógio analógico. Clique aqui para baixar o arquivo.

No começo a gente falava onde colocar o ímã. Agora ela coloca só. Nem sempre corresponde exatamente, mas não corrijo. No dia seguinte foco em ensinar aquilo que ela “errou”. Pode ser usando as mesmas palavras na janela e na geladeira (“hoje está nublado porque tem nuvem na frente do sol”, “qual imagem tem nuvem na frente do sol?”).

Na sequencia compramos o livro “Dia/Noite”, do Thiago Rennó, que é muito legal! Leia mais »

Fantasia ou real?

A criança com menos de seis anos ainda está sendo apresentada ao mundo. Nós ,adultos, sempre dispostos a ajudar, falamos: está é a vovó, a maçã é vermelha, o cachorro faz “au-au”, tenha cuidado ao andar na grama porque o cachorro pode ter feito coco. Mas no livro o cachorro não faz “au-au”e coco na grama, ele fala, anda em duas patas e faz xixi no penico. Isa com dois anos ainda não viu ao vivo boa parte dos bichos que já conhece nas imagens dos livros e nas músicas. Ela não tem como saber que uma fada, por exemplo, não existe. Para ela a fada é tão real quanto o jacaré. Quando apresentamos um mundo fantasioso para a criança menor de seis anos estamos lhe prestando um desserviço. Ela já tem muito para aprender do mundo real, para ainda precisar separar realidade de fantasia.

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Talvez você já tenha passado pela situação na qual fez uma piadinha com algo fantasioso para uma criança pequena e ela não tenha achado a menor graça ou claramente riu para lhe agradar porque entendeu pelo seu tom de voz que ela deveria rir. Para uma pessoa que ainda aprendendo sobre tudo, uma formiga poder carregar 100 vezes seu próprio peso é tão “engraçado” quanto a formiga usar óculos de sol. Por isso, ela não vê graça, ela absorve a informação.

Aqui em casa eu sou criteriosa com os livros, imagens, músicas e programas de TV que apresento a Isa e Vicente. Não posso controlar tudo que eles entram em contato e não me estresso com isso. Justamente por serem pequenos, se eu controlo o que entra em casa, isso já abarca boa parte do que veem.

O método Montessori é ainda mais criterioso. Há uma atividade característica do método que trata de apresentar miniatura de animais e depois relacionar a miniatura com a imagem correspondente. Nessa atividade é  recomendável que o tamanho das miniaturas sejam proporcionais entre si. O meu exemplo, da foto abaixo, não é dos melhores porque a vida marinha tem uma enorme variedade de tamanhos. De qualquer forma, eu não deveria colocar aquele caranguejo junto ao polvo, arraia e lula. O carangueijo é normalmente menor que a lula, mas na miniatura da foto estão do mesmo tamanho, o que causa uma desinformação para a criança. Não se convenceu?! Mas… o que você sentiria se alguém lhe apresentasse algo equivocado? Alguém a quem você nem  pediu que lhe ensinasse essa determinada coisa.

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É bem difícil encontrar produtos que apresentem apenas o real, os livros infantis estão cheios de animais antropomorfos. Eu acho tão difícil encontrar que até já propus a uma amiga ilustradora fazermos nossos próprios livros, mas a crise e outros projetos deixaram isso no limbo. Enquanto não viro escritora, vou compartilhando com vocês o que tenho achado de qualidade por aí e adoraria que vocês também compartilhassem comigo.

Há quem pergunte se esta “restrição” irá limitar a criatividade da criança. Para isso, Montessori já tinha a resposta:

Experiências de crianças pequenas com o mundo real tornam-se a base para a sua imaginação e pensamento criativo nos anos da escola primária, quando já não possuem uma mente absorvente, mas uma mente racional.

Citação a Montessori pelo livro Montessori from the start

Para aprofundar a leitura nesse assunto sugiro ler os seguintes textos do Lar Montessori:

Natal sem Noel: uma perspectiva a favor da imaginação.

Imaginação e fantasia: datas comemorativas.